Novidades diárias: como quebrar a rotina melhora a memória e a saúde do cérebro

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A rotina é confortável. É também uma armadilha cognitiva.

Os humanos estão programados para a previsibilidade. Seguimos o mesmo caminho para o trabalho. Tomamos o mesmo café da manhã. Nossos cérebros adoram a eficiência. Mas há um problema: quando a vida se torna demasiado previsível, o seu cérebro entra em modo inativo. Isso é ruim para a saúde a longo prazo.

Novas pesquisas sugerem que injetar pequenas quantidades de novidades em sua vida diária é uma das maneiras mais rápidas e baratas de aguçar sua mente e melhorar seu humor. Você não precisa de paraquedismo. Você só precisa mudar sua rotina.

Um estudo recente publicado na Current Biology descobriu que fazer algo ligeiramente diferente todos os dias pode melhorar significativamente a recuperação da memória e o bem-estar emocional, mesmo em adultos mais velhos. A chave? Você não precisa revisar sua vida. Pequenas mudanças são importantes.

O estudo: quebrando o tédio do bloqueio

Para compreender a mecânica, investigadores liderados por Melissa E. Meade, PhD (Professora de Psicologia na Huron University College), submeteram um grupo de 18 idosos saudáveis a uma experiência comportamental durante a pandemia de 2020.

Os participantes tinham em média 71 anos. Com as viagens limitadas pelos confinamentos, o estudo centrou-se em micronovidades.

Cada participante usou um aplicativo para smartphone chamado HippoCamera. O aplicativo imita como o hipocampo – o centro de memória do cérebro – armazena dados. Em vez de tirar uma foto do que você vê, o aplicativo permite criar uma “etiqueta visual” do momento que você deseja lembrar. Isso força você a se envolver ativamente com o evento, em vez de rolar passivamente.

Durante oito semanas, os participantes foram convidados a:
1. Procure uma experiência única ou nova a cada dia.
2. Marque-o com o aplicativo.
3. Relate seu humor, sensação de passagem do tempo e níveis de tédio.

Os resultados foram impressionantes. Nos dias em que os participantes se envolveram em atividades novas, eles relataram:
* Melhor memória para os eventos.
* Redução da sensação de tédio.
* Mais emoções positivas.
* Uma sensação subjetiva de que o tempo estava passando mais rápido.

O tempo voa quando você está se divertindo. Mas aqui também é um sinal de engajamento. Quando estamos entediados, o tempo se arrasta. Quando processamos novos dados, estamos presentes. E estar presente é exatamente o que mantém o cérebro resiliente.

Por que a novidade reconfigura o cérebro?

A novidade não é apenas divertida; é combustível neurobiológico.

Clifford Segil, DO, neurologista do Providence Saint John’s Health Center, explica que novas atividades ativam caminhos neurais que não eram usados ​​há algum tempo. Pense nisso como um músculo. Se você nunca levanta um peso específico, esse músculo permanece fraco. Se você introduz um novo movimento, você fortalece as conexões.

“Atividades inovadoras e únicas provavelmente ativam os circuitos cerebrais de novas maneiras”, diz o Dr.

Este processo ajuda a combater o declínio cognitivo natural associado ao envelhecimento. Dr. Meade acrescenta que novas experiências exigem atenção. Você não pode entrar no piloto automático ao experimentar uma nova receita ou navegar em um novo parque. Você tem que estar mentalmente engajado.

Essa atenção intensificada cria traços de memória mais fortes. É a diferença entre assistir a um filme e atuar nele.

Isso significa que você precisa aprender um novo idioma todos os dias? Não. A fasquia está baixa. E essa é a beleza disso.

O que conta como uma “nova experiência”?

O erro mais comum que as pessoas cometem é pensar que a novidade exige grandes mudanças na vida. Você não precisa se mudar para um novo país. Você não precisa tirar férias.

“O simples envolvimento em uma experiência fora de sua rotina típica pode ajudar”, observa o Dr. Meade.

Aqui está o que realmente conta:

  • Altere sua rota: Caminhe para o trabalho por uma rua diferente. Dirija para casa em uma estrada secundária que você costuma evitar.
  • Altere sua dieta: Experimente um vegetal que você nunca cozinhou. Coma em um restaurante que você nunca visitou.
  • Mudança social: Envie uma mensagem de texto para um amigo com quem você não fala há meses. Ligue para alguém do seu passado.
  • Mudança sensorial: Ouça um gênero musical que você normalmente não gosta. Leia um livro em um idioma diferente (mesmo que você apenas ouça um audiolivro).

O objetivo é a disrupção. Interrompa o padrão.

Segil enfatiza que o cérebro não se importa com o porquê de você estar fazendo algo novo, apenas com o fato de ser diferente do normal. Se estiver fora da sua rotina típica, conta.

Além da novidade: outras chaves para a saúde cognitiva

A novidade é uma ferramenta poderosa, mas não é uma solução mágica.

Dr. Segil recomenda sair de casa pelo menos duas vezes por dia. A exposição à luz natural e a novos ambientes apoia os ritmos circadianos e a regulação do humor. Até mesmo uma caminhada de cinco minutos ao redor do quarteirão entre as chamadas do Zoom funciona.

Dr. Meade acrescenta que a atividade física não é negociável. O exercício aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, o que apoia o crescimento de novos neurônios.

A combinação desses fatores cria uma defesa robusta contra o declínio cognitivo:
1. Movimente-se: Faça exercícios físicos regularmente.
2. Aprenda: Adquira novas habilidades ou resolva quebra-cabeças.
3. Envolva-se: Mantenha-se socialmente ativo.
4. Variar: Injete novidades nas rotinas diárias.

O resultado final

O envelhecimento é inevitável. A demência não é.

Embora a genética e o estilo de vida desempenhem um papel importante, uma das maneiras mais fáceis de apoiar a saúde do cérebro é parar de permitir que a vida se torne um roteiro que você memorizou. Você não precisa de uma revisão radical. Basta agitar as pequenas coisas.

Pegue o caminho mais longo para casa. Experimente a salada estranha. Ligue para o velho amigo.

Seu hipocampo vai agradecer.

O tempo passa mais rápido quando você presta atenção. A questão é: quando foi a última vez que você prestou atenção em algo novo?