Numa era em que as tendências alimentares mudam da noite para o dia, novos sustos sobre a saúde frequentemente se tornam virais em plataformas como TikTok e Instagram. Recentemente, uma onda de preocupação tem como alvo a água com gás, com influenciadores alegando que essas bebidas populares alternativas aos refrigerantes podem conter produtos químicos não divulgados que aumentam o risco de câncer colorretal.
Embora as manchetes sejam alarmantes, a realidade científica é mais matizada. A preocupação não é realmente com a água gaseificada em si, mas sim com a embalagem usada para contê-la.
A principal preocupação: “Forever Chemicals” em embalagens
O debate centra-se nas substâncias per e polifluoroalquílicas (PFAS), muitas vezes chamadas de “produtos químicos eternos” porque não se decompõem facilmente no ambiente ou no corpo humano. Estas substâncias são frequentemente utilizadas nos revestimentos protetores de latas de alumínio e garrafas plásticas para evitar vazamentos e corrosão.
Segundo médicos especialistas, a ligação potencial com o câncer envolve vários mecanismos biológicos:
- Desregulação endócrina: PFAS pode interferir nos sistemas hormonais.
- Estresse oxidativo: A exposição pode promover estresse celular e interferir no reparo do DNA.
- Perturbação da saúde intestinal: Há evidências que sugerem que o PFAS pode danificar a barreira intestinal, levando a inflamação crónica e alterações no microbioma intestinal.
Dado que a inflamação crónica é um fator bem estabelecido de cancro colorretal, os investigadores estão a investigar se a exposição a longo prazo a estes produtos químicos pode promover o crescimento do tumor.
O que dizem as pesquisas atuais?
Apesar da ansiedade crescente, é importante distinguir entre riscos teóricos e factos comprovados.
- A dosagem é importante: Embora o PFAS tenha sido associado a cânceres renais e testiculares, a Dra. Maen Abdelrahim, do Houston Methodist, observa que a quantidade de PFAS lixiviado de latas de bebidas está atualmente muito abaixo dos níveis que demonstraram causar câncer em estudos experimentais.
- Testes atuais: O Dr. Steven Lee-Kong, do Hackensack University Medical Center, ressalta que, embora algumas marcas populares tenham testado positivo para PFAS, os níveis geralmente ficam bem abaixo dos limites recomendados federais.
- Falta de evidências diretas: No momento, não há nenhuma evidência direta que prove que beber água com gás em lata causa câncer de cólon. A ciência relativa ao impacto a longo prazo da exposição a baixos níveis de PFAS ainda é considerada na sua “infância”.
Como minimizar riscos
Como a ciência ainda está evoluindo, os especialistas em saúde sugerem uma estratégia de moderação e variedade em vez de pânico. Se você estiver preocupado com a exposição a produtos químicos nas embalagens, considere as seguintes etapas:
- Diversifique sua hidratação: Não confie apenas em bebidas enlatadas ou engarrafadas.
- Priorize a água filtrada: Beber água de um sistema de filtragem confiável é a maneira mais segura de se manter hidratado.
- Concentre-se em fatores de risco comprovados: Em vez de ficarem obcecados com água com gás, os profissionais médicos incentivam os consumidores a se concentrarem em métodos estabelecidos de prevenção do câncer colorretal, como:
- Manter um peso saudável.
- Limitar carnes vermelhas e processadas.
- Evitar o tabaco e moderar o consumo de álcool.
- Manter-se fisicamente ativo e aderir a exames médicos regulares.
“Com base nas evidências atuais, a água com gás enlatada não é considerada uma fonte significativa de exposição ao PFAS”, diz a Dra. Maen Abdelrahim.
Conclusão
Embora o potencial do PFAS nas embalagens para impactar a saúde intestinal seja uma área legítima de estudo científico, atualmente não existe uma ligação definitiva entre água com gás e câncer colorretal. Por enquanto, a melhor abordagem é manter uma alimentação balanceada e priorizar a água filtrada para hidratação diária.



























